domingo, 23 de setembro de 2012

Greve, Professores, Estudantes, Desespero.



       Direito de ir e vir, direito à saúde, direito à moradia, direito de greve. Temos muitos direitos e muitos deveres também. Mas nenhum dos nossos ou vossos direitos mexem tanto com a vida das pessoas do que o direito à greve.

       Vivemos em um sociedade em que muitas das vezes o diálogo e o olho no olho não são o suficiente. Temos o direito de nos manifestarmos e consequentemente ou paralelamente a isso o direito de "grevar". Não importa o segmento ou o perfil dos trabalhadores, greve é greve. Há greves que repercutem mais que outras, porque interferem em outros direitos.

       Greve dos bancários, na maioria dos casos, após o dinheiro dos caixas eletrônicos esgotarem, este só será reposto após a greve, e aí ficamos a mercê dos horários inflexíveis de nossas agências. Greve do transporte coletivo, milhares de pessoas deixam de ir ao trabalho, escola, lazer. Todos ficamos putos da vida. Entendemos o lado dos grevistas, afinal de contas, greve é greve, e só faz sentido se for geral, pois essa determinação de que tantos por cento dos trabalhadores devem continuam na labuta só enfraquece o movimento. Greve dos professores, e mais precisamente dos professores das universidades federais, quando é de união mesmo, com a categoria toda engajada, seus efeitos são sentidos a longo prazo, para além do período de greve. 

       2012 sentiu na pele um movimento grevista de massa, que contaminou inúmeras categorias. A dos professores federais, no Maranhão mais especificamente, durou mais de 100 dias. Alguns objetivos foram alcançados, outros não. E muita coisa aconteceu ou deixou de acontecer nesse longo período. 

       Findada a greve, começamos todos a refletir sobre o provir. Mais de 100 dias parados, sem aula. Precisamos retomar de onde paramos. Conteúdos dados pela metade e nosso planejamento, mas é claro que nem todos o fizeram, foi soterrado. 

       Já estamos no mês de setembro, quase entrando outubro, e os bichos/calouros ainda não apareceram na universidade com seus cortes loucos ou sem cabelo algum. Os veteranos, que anseiam por colar grau, desejam, anseiam, sonham...Colação de grau? Isso não te pertence mais. Não agora. E os professores, tão satisfeitos ou não com a greve, procuram suas agendas e vislumbram suas férias de natal, ano novo, janeiro...mas isso não lhes pertencem mais. Uma parada para a ceia, outra para a virada do ano, mas férias?! 2013 começará velho, com o 2º semestre de 2012 batendo nas costas. 

       A greve acabou de acabar, o período vai retornar, muitas aulas ainda tem pra dar. Acabou-se o que era doce. O desespero vem chegando, muita coisa pra estudar, aulas pra assistir, aulas pra ministrar, férias querendo ir, mas sem lugar pra mim. Monografia pra entregar. Colação de grau vai atrasar. Vida virada do avesso, precisamos nos organizar. Pega a agenda. Anota aí: Greve acabou, até que enfim. Professor, pega leve, vamos compartilhar, preciso aprender e não apenas passar, tornar-me-ei profissional e não posso vacilar. Estudante, eita profissão! O desespero é o amigo de todos após uma bela greve.

 Diogo Nascimento

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