Outubro chegou ao fim. E com ele, o fim das eleições de 2012. Algumas cidades do país que ainda disputavam segundo turno resolveram neste dia 28 de outubro quem as governariam. Findado o processo eleitoral, eis que surge o nome do nosso novo prefeito, o eleito que governará a partir de janeiro de 2013, sendo o responsável pelas vitórias e derrotas que a cidade alcançar até dezembro de 2016.
Ser prefeito é algo que requer muita responsabilidade. Primeiro porque a maioria optou por você, segundo porque outra parcela da população não queria você, e aí o eleito terá que mostrar o porquê dele ser o melhor, o mais preparado, e quem sabe assim, conquistar o voto desse eleitor adversário para o próximo pleito.
O cenário eleitoral municipal é a primeira etapa para as decisões importantes que serão tomadas dois anos depois, nas eleições nacionais. O próximo presidente do país, os próximos governadores, deputados e senadores dependerão das eleições municipais, das bases locais. Cada partido quer eleger o maior número possível de prefeitos e de vereadores. Isso conta muito, é uma carta na manga para o pleito estadual e nacional.
Em 2012 o ex-presidente Lula demonstrou sua força, conseguiu eleger "postes", pessoas que nunca tinham disputado nada, como Fernando Haddad, do PT, em São Paulo. Ele foi eleito pelos seus méritos? Alguns podem ter votado por isso, mas a minoria. A maioria mesmo votou ou por que era o candidato do Lula ou porque o candidato adversário era o velho Serra de guerra. Àquele que foi eleito da última vez e abandonou a prefeitura no meio do mandato. Mas Lula também teve derrotas: o candidato do PT em Salvador foi derrotado pelo neto do Coronel ACM, do DEM. Quem diria?! Em Fortaleza, o candidato do governador Cid Gomes foi eleito, derrotando o candidato do PT, do Lula e da atual prefeita. Em BH o candidato do PT também foi derrotado e logo no primeiro turno.
Em São Luís, Edivaldo Holanda do PTC foi eleito e o candidato à reeleição pelo PSDB, João Castelo, derrotado. Mas o PSDB ganhou as prefeituras de Manaus, Teresina, Belém. O novato PSD conquistou a prefeitura de Florianópolis. E o outro novato, de esquerda, PSOL, conquistou a prefeitura de Macapá.
Os resultados desta eleição municipal nos apresenta um novo cenário e nos faz refletir sobre a nova realidade que vivemos, com eleitores mais conscientes e determinados a mudar às realidades de suas cidades, não concedendo novo mandato ao prefeito que tenta a reeleição e que não trabalhou. Mas há também índices preocupantes, como o de abstenção. Muita gente tem deixado de votar. Por quê? Falta de esperança? Nojo da política? Descrédito dos partidos e políticos? Ou devido à obrigatoriedade do voto? Tudo isso preciso ser levado em conta e discutido junto com a sociedade, afinal de contas, o protagonista do processo eleitoral não é o candidato, mas o cidadão, o eleitor.
Diogo Nascimento
